"Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido."

Salmos 34:18

O Papa e a Renovação
15-Jun-2008

Discurso do Papa João Paulo II aos Responsáveis
do Movimento Carismático Católico

30 de Outubro de 1998

Fonte: www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1998/october/documents/hf_jp-
ii_spe_19981030_carismatici_po.html

papa_e_espirito_santo_.jpgCaríssimos Irmãos e Irmãs!

1. Ao saudar a Conferência Internacional para os Responsáveis do Movimento Carismático Católico, ¬´dou graças ao meu Deus por meio de Jesus Cristo, a respeito de vós, pois a fama da vossa fé espalhou-se pelo mundo inteiro ¬ª (Rm 1, 8).

A Renovação Carismática Católica ajudou muitos cristãos a redescobrir a presença e a força do Espírito Santo na sua vida, na vida da Igreja e no mundo. Esta redescoberta despertou neles uma fé em Cristo repleta de alegria, um grande amor pela Igreja e uma generosa dedicação à sua missão evangelizadora. Neste ano dedicado ao Espírito Santo, uno-me a vós ao louvar Deus pelos frutos preciosos que quis fazer maturar nas vossas comunidades e, através delas, nas Igrejas particulares.

2. Como responsáveis da Renovação Carismática Católica, uma das vossas tarefas consiste em tutelar a identidade católica das comunidades carismáticas difundidas em todo o mundo, estimulando-as sempre a manter um vínculo hierárquico e estreito com os Bispos e o Papa. Pertenceis a um movimento eclesial e a palavra ¬´eclesial¬ª obriga a uma preciosa tarefa de formação cristã, que requer uma profunda convergência entre fé e vida. A fé entusiasta que reaviva as vossas comunidades deve ser acompanhada por uma formação cristã adequada e fiel ao ensinamento eclesial. Com efeito, de uma sólida formação derivar á uma espiritualidade profundamente radicada nas fontes da vida cristã e capaz de responder aos interrogativos cruciais apresentados pela cultura de hoje.

Na minha recente Carta Encíclica Fides et ratio adverti contra um fideísmo que não reconhece a importância da obra da razão, não só para uma compreensão da fé, mas também para o próprio ato de fé.

3. O tema da vossa Conferência, ¬´Let the fire fall again!¬ª, recorda as palavras de Cristo: ¬´Vim para lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que já estivesse aceso!¬ª (Lc 12, 49). Olhando para o Grande Jubileu, estas palavras ecoam com todo o seu vigor. O Verbo de Deus fez-se homem e trouxe-nos o fogo de amor e a verdade que salva. No limiar do Terceiro Milênio da era cristã, é grande o desafio evangélico: ¬´vai hoje trabalhar para a vinha¬ª (Mt 21, 28)!

Acompanho a vossa Conferência com as minhas orações, convicto de que isto dará ricos frutos espirituais à Renovação Carismática Católica em todo o mundo. Maria, Esposa do Espírito e Mãe de Cristo, vigie sobre quanto fazeis em nome do seu Filho! Concedo de coração a minha Bênção apostólica a todos vós, às vossas comunidades e entes queridos.


rcc15_1.jpg Decreto AIC 73 - Pontificium Consilium Pro Laicis

"Nós vivemos na Igreja um momento privilegiado do Espírito": declarou Sua Santidade Paulo VI em sua Exortação Apostólica "Evangelii Nuntiandi" (n. 75). De fato, existem muitos sinais pelo mundo onde podemos ver o fruto do Espírito. Correntes, movimentos e testemunhos de santidade renovam a comunhão e a missão da Igreja, apoiados nos dons carismáticos e hierárquicos. Entre eles estão a Renovação Carismática Católica ou Renovação no Espírito e novas formas de Comunidades de vida que brotem desses dons. "O vigor e os frutos da Renovação ‚Äì disse Sua Santidade João Paulo II aos participantes do 6º Congresso Internacional da Renovação Carismática em 15 de Maio de 1987 ‚Äì certamente dão testemunho da presença poderosa do Espírito Santo na Igreja durante esses anos que se seguiram após o Concílio Vaticano II. É claro que o Espírito tem guiado a Igreja por todo esse tempo fazendo brotar uma grande variedade de dons entre os fiéis. Graças ao Espírito, a Igreja mantém constantemente sua jovialidade e vitalidade. E a Renovação Carismática é uma manifestação eloqüente desta vitalidade nos dias de hoje, uma afirmação vigorosa do que ‚Äòo Espírito está dizendo às Igrejas‚Äô (Ap 2, 7), enquanto nos aproximamos do final do segundo milênio."

Para apoiar as realidades bem diversas dos indivíduos e grupos que respondem ao apelo do movimento Católico Carismático, o Escritório Internacional da Renovação Carismática Católica tem dado, desde 1978, uma resposta concreta e positiva facilitando a comunicação e a cooperação entre todos.

Aceitando agora o pedido feito pelo ICCRS para obter o reconhecimento pontifício, de acordo com o atual Código de Direito Canônico, analisando os propósitos do ICCRS de "serviço e promoção da Renovação Carismática Católica por todo mundo, sob a ação do Espírito Santo" (art. 1), tendo "uma preocupação especial com a fidelidade dos participantes da renovação carismática, tanto indivíduos quanto grupos, à Igreja Católica, e sua obediência ao Santo Papa assim como aos outros bispos, de acordo com os ensinamentos da Igreja" (art. 3).

Tendo examinado atentamente os Estatutos apresentados pelo ICCRS e consultado diversos canonistas, e após a incorporação nos estatutos de observações feitas pelo Pontifício Conselho para os Leigos e pelo próprio ICCRS em 8 de Julho de 1993,

Buscando e fortalecendo um relacionamento mais regular e institucional entre o ICCRS e a Santa Sé, particularmente através do Pontifício Conselho para os Leigos, cujo Vice-Presidente, Bispo Paul J. Cordes, foi nomeado pelo Santo Papa como Conselheiro Episcopal do ICCRS, "
ad personam", apoiado pelos testemunhos positivos de muitos Cardeais e Bispos sobre o serviço empreendido pelo ICCRS em concordância com a comunhão e a missão da Igreja.

Tendo também em mente que em 30 de Novembro de 1990 o Pontifício Conselho para os Leigos reconheceu a Fraternidade Católica das Comunidades de Aliança e Vida, como uma associação privada de fiéis, e na esperança que existirá um relacionamento frutífero de diálogo e cooperação entre esta associação e o ICCRS.

O Pontifício Conselhor para os Leigos decreta:

O reconhecimento do ICCRS como uma entidade de promoção da Renovação Carismática Católica, com personalidade jurídica, de acordo com o Cânon 116, aprovando seus Estatutos, em sua forma original, depositados nos arquivos deste Dicastério.

PAUL J. CORDES - Vice-Presidente
EDUARDO CARD. PIRONIO - Presidente

Do Vaticano, 14 de Setembro de 1993, Festa da Exaltação da Cruz.


rcc14_1.jpgMensagem aos Participantes no Encontro Mundial
da Renovação Carismática Católica

Fonte:www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2000/apr-jun/documents/ hf_jp- i_spe_20000424_catholic-charismatic-renewal_po.html


Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. Com grande alegria envio-vos a minha saudação por ocasião do "Encontro Mundial da Renovação Carismática Católica", que se realiza em Rimini. Já há diversos anos a "Renovação no Espírito Santo" celebra aí, no início de Maio, a sua "convocação nacional". Por ocasião do Ano Jubilar este encontro assumiu uma dimensão particular, devido à presença de numerosos representantes de grupos e comunidades carismáticas provenientes de outros Países do mundo.

Justamente, por isso, o vosso encontro realiza-se com o patrocínio de um organismo, o "International Catholic Charismatic Renewal Services", ao qual compete a tarefa de coordenar e promover o intercâmbio de experiências e de reflexões entre as comunidades carismáticas católicas espalhadas pelo mundo. Graças a isto, a riqueza presente em cada comunidade reverte-se em benefício de cada um e todas as comunidades podem perceber, de maneira mais fácil, o vínculo de comunhão que as une umas às outras e à Igreja inteira. Saúdo cordialmente o Presidente do "International Catholic Charismatic Renewal Services", Senhor Allan Panozza, e o Coordenador Nacional da "Renovação no Espírito Santo", Senhor Salvatore Martinez, e também todos os membros do Comitê Nacional de Serviço.

2. Este encontro internacional de Rimini constitui para vós uma etapa da peregrinação jubilar. Ao celebrarmos a etapa bi-milenária da Encarnação, todos nós somos chamados a dirigir o nosso olhar para Cristo, "luz das nações". Ao olharmos para Ele, renovam-se em nós o enlevo e a gratidão: o Filho de Deus fez-se homem, morreu para a nossa salvação, ressuscitou e vive.

Cristo vive! Ele é o Senhor! Esta é a certeza da nossa fé. Enquanto a proclamamos com humildade e firmeza, estamos conscientes do fato que esta certeza não vem de nós. Se pudemos conhecer Cristo, foi porque Ele mesmo se fez conhecer a nós, dando-nos o seu Espírito: "Ninguém pode dizer: "Jesus é Senhor", senão por influência do Espírito Santo" (1Cor12,3). Ao fazer-se conhecer, Cristo não nos deixou sozinhos. No Espírito nasce o novo povo de Deus, porque "aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-o em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente" (Const. dogm. Lumen gentium, 9). Toda a comunidade eclesial autêntica é uma porção deste povo, que há dois mil anos percorre as estradas do mundo. Embora pertencendo a uma comunidade determinada, todo o batizado está, portanto, aberto a acolher a riqueza da Igreja universal, que é a Igreja de todos os séculos.

3. A Igreja olha com gratidão para o florescer de comunidades vivas, nas quais a fé é transmitida e vivida. Neste florescimento, ela reconhece a obra do Espírito Santo, que jamais deixa faltar à Igreja as graças necessárias para enfrentar situações novas e às vezes difíceis. Muitos de vós recordareis o grande encontro que se realizou em Roma no dia 30 de Maio de 1998, na vigília de Pentecostes. Naquela ocasião, eu disse: "No nosso mundo, com freqüência, dominado por uma cultura secularizada que fomenta e difunde modelos de vida sem Deus, a fé de muitos é posta à dura prova e, não raro, é sufocada e extinta. Percebe-se, então, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e aprofundada formação cristã. Como é grande, hoje, a necessidade de personalidades cristãs amadurecidas, conscientes da própria identidade batismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! Como é grande a necessidade de comunidades cristãs vivas! E eis, então, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio do final de milênio" (L'Osserv. Rom. Ed. port. de 6/6/98, pág. 4).

Naquela ocasião, fiz observar também que para os movimentos já se apresentava uma etapa nova, "a da maturidade eclesial" (ibid.). Também as comunidades carismáticas são chamadas hoje a dar este passo e estou certo de que, para o maturar da consciência eclesial nas diversas comunidades carismáticas católicas espalhadas pelo mundo, um papel importante poderá tê-lo o "International Catholic Charismatic Renewal Services". Aquilo que eu disse então na Praça de São Pedro, repito-o a todos vós reunidos em Rimini: "A Igreja espera de vós frutos ‚Äòmaduros‚Äô de comunhPapa_RCC.jpgão e de empenho".

4. No seio das vossas comunidades, em circunstâncias diversas, para cada um de vós teve início um caminho que leva a um conhecimento e a um amor de Cristo sempre maior. Não interrompais o caminho empreendido! Tende confiança: Cristo completará a obra que Ele mesmo iniciou. "Aspirai aos melhores dons!" (1 Cor 12, 31). Procurai sempre Cristo: procurai-O na meditação da Palavra de Deus, procurai-O na oração, procurai-O no testemunho dos irmãos. Sede gratos aos sacerdotes que acompanham como pastores as vossas comunidades: através do seu ministério é a Igreja que vos guia e vos assiste como mãe e mestra. Acolhei com alegria as ocasiões que vos são oferecidas para aprofundar a vossa formação cristã. Servi Cristo nas pessoas que vos estão próximas, servi-O nos pobres, servi-O nas carências e necessidades da Igreja. Deixai-vos guiar verdadeiramente pelo Espírito! Amai a Igreja: una, santa, católica e apostólica!

Estou particularmente contente por saber que no vosso encontro participam também representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais e desejo saudá-los com afeto. Ao unirdes-vos no louvor comum, acolhestes o convite por mim formulado na Bula de proclamação do Grande Jubileu: "Acorramos todos, vindos das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais espalhadas pelo mundo, para a festa que se prepara; tragamos conosco aquilo que já nos une, e o olhar fixo unicamente em Cristo permita-nos crescer na unidade que é fruto do Espírito" (Incarnartionis mysterium);

Enquanto juntamente convosco oro à Virgem Maria, para que cada um acolha o dom do Espírito para ser testemunha de Cristo lá onde vive, de bom grado concedo-vos, queridos Irmãos e Irmãs, e às vossas famílias a minha afetuosa Beão.

Vaticano, 24 de Abril de 2000